🇵🇹 MEDWAY, AMEAÇA MUDAR-SE PARA ESPANHA
Medway avisa Governo: empresa pondera sair de Portugal e mudar-se para Espanha
O presidente da Medway assume que, em aberto, está mesmo a paragem da atividade em Portugal e a ida para Espanha, onde a empresa tem vários incentivos, por exemplo, um custo da taxa de uso oito vezes inferior. "Eu vou é para Espanha, onde apoiam, têm uma taxa de uso da via-férrea oito vezes inferior à portuguesa, apoiam na energia e no combustível", afirma.
Carlos Vasconcelos espera que o novo Governo resolva a situação. "Tenho esperança que este novo Governo resolva a situação, é sempre desagradável a um governo herdar uma situação destas, mas institucionalmente o que existe é um país, mas eu tenho uma esperança que este Governo não seja, nesta matéria, como o anterior, que prometeu, prometeu, prometeu, legislou, legislou e não fez nada. Espero que este faça alguma coisa para bem do país, porque nós temos uma empresa sustentável, que tem gerado postos de trabalho, que tem investido fortemente na ferrovia em Portugal, que tem projetos grandes para Portugal, como seja uma oficina de manutenção e eventualmente construção de vagões", sublinha.
O responsável pela Medway esclarece que já teve um contacto com o Governo de Luís Montenegro e espera por uma reunião em breve. Para já, nota recetividade do Executivo para resolver a situação. O prazo para a decisão é o Orçamento do Estado para o próximo ano.
"Espero que este governo, de facto, seja sensível. Já tivemos só um pequeno contacto com o Governo, que nos mostrou simpatia, compreensão, problema e precisava de o estudar. Obviamente espero ter uma reunião brevemente com o Governo para discutir o assunto já a outro nível e de forma mais assertiva. Quanto ao prazo, a questão das compensações para nós é absolutamente urgente e precisávamos disso. Eu diria que era para ontem, mas aqui não dá para estar à espera muito tempo. Era bom que todas estas medidas até setembro ou outubro estivessem aprovadas. Depois, o Orçamento do Estado tem de contemplar isto", acrescenta.
Miguel Rebelo de Sousa, diretor-executivo da Associação Portuguesa de Empresas ferroviárias, na entrevista d'A Vida do Dinheiro desta semana, diz que será uma tragédia se a Medway sair de Portugal para se fixar em Espanha, mas compreende, uma vez que esta é uma decisão que cabe ao acionista.
"Representa cerca de 80% do mercado e, portanto, se acontecesse uma coisa dessas, era negativo. Mas é verdade que a Medway opera em Portugal e opera em Espanha. É verdade que a Medway tem tido em Espanha um aumento muito grande de quota de mercado e, portanto, faz sentido. Tem um grande incentivo pela parte das autoridades espanholas para continuar a sua senda de investimento no mercado espanhol. Vai passar a ser responsável pela Renfe mercadorias (...) No final do dia, é normal que um acionista pese até que ponto é que faz sentido continuar a insistir num mercado onde, pelos vistos, não tem condições para ser competitivo, quando, ao lado, tem outro mercado, onde tem incentivos para operar, tem incentivos à transição modal, incentivos à descarbonização dos transportes. Portanto, até para comprar comboios elétricos tem incentivos em Espanha. Recebe financiamento sem custo. E nós, cá em Portugal, não só não damos qualquer tipo de apoio, como ainda por cima tornamos mais caro o transporte de mercadorias e isso é um contrassenso", alerta.
Autoras:Carolina Quaresma e Ana Maria Ramos
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