🇵🇹 "OS FOGAREIROS ODIADOS, QUE AINDA VÃO SER DESEJADOS"
Portugal perdeu quase 6.000 taxistas em três anos. Pandemia, TVDE e salários são os sinais vermelhos do setor
Em 2020, ano em que se iniciou a pandemia de COVID-19, o mercado do táxi em Portugal contava com 26.984 condutores profissionais habilitados para este transporte público.
No final de 2023, esse número tinha descido para 21.217, representando uma queda de 21,4%, de acordo com dados do Instituto da Mobilidade e Transportes (IMT) fornecidos ao PÚBLICO.
Esta redução traduz-se em menos 5767 condutores profissionais ao longo de três anos. Embora tenha havido sinais de recuperação em 2022, com 20.224 condutores profissionais registados, o setor continua a enfrentar desafios significativos.
O número de condutores profissionais de táxi aumentou em 2019 e 2020, mas sofreu uma queda abrupta em 2021, com o total a baixar para 21.902.
Nesse ano, a pandemia continuou a ter um efeito negativo nas deslocações, com várias restrições à circulação em táxis. A situação agravou-se ao longo dos anos seguintes.
O NÚMERO DE EMPRESAS LICENCIADAS PARA O TRANSPORTE EM TÁXI TAMBÉM DIMINUIU.
Em 2018, havia 10.058 empresas registradas no IMT, número que caiu para 9201 em 2022.
No entanto, em 2023, houve uma recuperação ligeira, com 9216 empresas licenciadas.
DECLÍNIO E MUDANÇA NO SETOR
A Federação Portuguesa do Táxi (FPT) atribui a queda do número de condutores profissionais ao impacto severo da pandemia. “Durante o período de isolamento social para defesa da saúde pública, a economia do táxi sofreu quebras de procura na ordem dos 80%,” explicou uma fonte oficial da FPT.
“Muitos profissionais suspenderam a atividade, entregando as licenças de táxi às respectivas autarquias.”
Pedro Gonçalves, presidente da Associação Nacional Táxis Unidos de Portugal (ANTUP), criada em 2020, apontou para a falta de produtividade e incapacidade de adaptar salários justos como fatores-chave para a perda de condutores profissionais.
“Atravessámos dois anos de pandemia, o que fez com que houvesse menos serviço e, evidentemente, as pessoas procuraram outras profissões", observou.
DESAFIOS DE REGULAÇÃO E CONCORRÊNCIA
O setor do táxi também enfrenta a concorrência dos Transportes em Veículos Descaracterizados a partir de Plataforma Eletrónica (TVDE).
Atualmente, há 69.814 licenças de condutores de TVDE ativas, com 20.959 licenças concedidas em 2023.
A nova lei do táxi, publicada em outubro de 2022, prevê acordos entre municípios para gerir os táxis numa região mais ampla, permitindo tarifas específicas e a possibilidade de apanhar passageiros fora do concelho de origem.
No entanto, ainda não foram criados contingentes intermunicipais.
Segundo a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT), “não há conhecimento de nenhuma medida implementada de gestão intermunicipal da atividade de transporte em táxi.”
Atualmente, os táxis que se deslocam para outros concelhos aplicam a “tarifa de retorno em vazio,” o que resulta em tarifas mais altas, uma vez que não podem transportar passageiros no regresso.
NECESSIDADE DE REGULAÇÃO TARIFÁRIA
A AMT está a trabalhar num regulamento tarifário que deve ser emitido até outubro de 2024. A autoridade tem recolhido dados, realizado estudos comparativos e consultado municípios, comunidades intermunicipais, áreas metropolitanas, consumidores e associações do setor.
O regulamento será sujeito a consulta pública.
A FPT defende fortemente a gestão intermunicipal, considerando-a fundamental para aumentar a rentabilidade e melhorar a resposta às necessidades das comunidades.
A ANTUP também apoia a gestão intermunicipal, mas aguarda a definição do novo sistema tarifário para a sua implementação.









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