🇵🇹 COMBOIO DE ALTA VELOCIDADE
Comboio de alta velocidade com participação movida a carvão
O processo de construção da ferrovia de alta velocidade, que vou passar a chamar de TGV por questões de simplificação, parece que vai mesmo avançar. Como qualquer projecto e empreitada desta natureza, ocorre por troços, pois os desafios podem mudar radicalmente à medida que o território é atravessado.
Mas não é isso que me parece absurdo neste processo. O TGV tem como grande objectivo modernizar a forma como nos deslocamos entre os principais pólos urbanos do país, numa solução que pretende combinar velocidade e eficiência, implicando menores impactos ambientais. No entanto, há muito mais que isso em jogo. Alguns territórios vão mudar radicalmente, e, com isso, a vida das pessoas. Há muito a ganhar, mas, eventualmente, algo que se perde também. Então, o que me parece estranho aqui é o modo como está a ser conduzido o processo participativo.
Esperava-se que um projecto de escala nacional, mas que vai tocar e afectar localmente a maioria da população do país, tenha um processo participativo mais moderno. Existe uma plataforma online que mostra alguns elementos gráfico e oferece uma caixa para deixar a nossa concordância ou discordância acompanhada de um comentário. Isto é participação pública do tempo da ferrovia a vapor. Mesmo com a plataforma digital, o processo é arcaico. É dissonante dos princípios do planeamento participativo e colaborativo que devem ser implementados em projectos de elevado impacto social, onde está muita coisa em jogo e é praticamente impossível definir a solução óptima.
Comboio de alta velocidade com participação movida a carvão
Mas não é isso que me parece absurdo neste processo. O TGV tem como grande objectivo modernizar a forma como nos deslocamos entre os principais pólos urbanos do país, numa solução que pretende combinar velocidade e eficiência, implicando menores impactos ambientais. No entanto, há muito mais que isso em jogo. Alguns territórios vão mudar radicalmente, e, com isso, a vida das pessoas. Há muito a ganhar, mas, eventualmente, algo que se perde também. Então, o que me parece estranho aqui é o modo como está a ser conduzido o processo participativo.
Comboio de alta velocidade com participação movida a carvão
Esperava-se que um projecto de escala nacional, mas que vai tocar e afectar localmente a maioria da população do país, tenha um processo participativo mais moderno. Existe uma plataforma online que mostra alguns elementos gráfico e oferece uma caixa para deixar a nossa concordância ou discordância acompanhada de um comentário. Isto é participação pública do tempo da ferrovia a vapor. Mesmo com a plataforma digital, o processo é arcaico. É dissonante dos princípios do planeamento participativo e colaborativo que devem ser implementados em projectos de elevado impacto social, onde está muita coisa em jogo e é praticamente impossível definir a solução óptima.
Comboio de alta velocidade com participação movida a carvão
Não tenho a menor dúvida de que precisamos de sistemas de transportes mais eficientes, rápidos e geradores de menores impactos de todo o tipo. Mas uma forma de minimizarmos esses impactos, e de os tornamos ainda mais funcionais e adequados às necessidades, passa por implementar sólidos processos participativos onde o objectivo seja desenhar colaborativamente soluções que possam atender aos desafios dos territórios afectados. Mais do que isso, para que se possa explorar o potencial dos territórios é necessário que as pessoas e entidades locais sejam efectivamente envolvidas. Obviamente que não é fácil fazer isto, mas temos soluções técnicas ao nosso alcance.
Comboio de alta velocidade com participação movida a carvão
Deveríamos estar a mostrar cenários detalhados e acessíveis das várias opções, com os quais as pessoas pudessem interagir, testar várias hipóteses e ver os resultados. Proporcionar processos com mediação e facilitação técnica até se conseguirem atingir alguns consensos. Podemos fazer isto online e em sessões presenciais. Isto não é utopia, apesar de ser uma prática pouco explorada em Portugal. Podemos fazer sessões apoiadas por modelos interactivos que geram dados e alimentam decisões colaborativas. Dinâmicas de jogos e simulação ajudam nisto, está provado cientificamente. Sei que estou a defender o meu método do planeamento baseado em jogos, mas custa-me imenso ver Portugal perder oportunidades por desconhecimento ou incapacidade de implementar alternativas.
Comboio de alta velocidade com participação movida a carvão
Por isso, não deixa de ser absurdo que o nosso processo para ter a modernidade sobre carris esteja a ser alimentado por um processo participativo movido a carvão. Ainda estamos a tempo de mudar o combustível para evitarmos uma alta-velocidade cheia de resíduos indesejáveis.
Autor:Micael Sousa
Engenheiro apaixonado por história, que gosta de aplicar jogos de tabuleiro a tudo.











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